Compositor: Duende Garnica
Vim do seu tronco
Sou filho da sua pele
Sou o esquecido
Na caderneta do tempo
Aquele que ficou
De pé, te enfrentando
Sou flor operária
Silvestre de espumas
Quando o trem parte
Olho, nas vias, a Lua
Pensando que, talvez
Minha terra tenha sorte
Meu pulmão se encheu
Quando distribuíram
Não lembram de mim
Dizem que nunca me viram
Que não sou daqui
Que não tenho jeito mais
Sou o esquecido
O mesmo que um dia
Se ergueu
Engolindo terra e saliva
Caminho rumo ao Sol
Para curar as feridas
Sou uma ferida
Procurando o salário
Mestre de pé
Cuidando de pombos brancos
Que vão amadurecer
Iluminando a sua terra
Sou aquele que ficou
Entre as casas rurais
Menino do mato
A base de mate e um prato improvisado
Fome e rebeldia
Foram crescendo nas minhas mãos
Não quero a mais
Quero o que é meu
Com o baralho marcado
Vou mudar o destino
Se levanta, covarde
Que aqui tem um argentino cantando
Sou o esquecido
O mesmo que um dia
Se ergueu
Engolindo terra e saliva
Caminho rumo ao Sol
Para curar as feridas